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	<title>Pedro Marighella &#8211; Revista Tatuí</title>
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	<description>Revista de crítica de arte</description>
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		<title>A vida, às vezes, fica melhor assim</title>
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				<pubDate>Wed, 29 May 2019 21:18:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Como integrante do GIA – Grupo de Interferência Ambiental – devo confessar que não é fácil escrever sobre o grupo, suas ações e objetivos. Estou tão submersa no “mundo do GIA” que talvez fosse mais fácil escrever a seu respeito com um certo distanciamento, como fazem nossos colegas pesquisadores, artistas visuais, críticos, etc. Talvez, dessa forma, eu perceberia certas sutilezas e peculiaridades que passam despercebidas por nós, integrantes do grupo. Minha visão será sempre demasiado parcial e apaixonada&#8230; Por outro lado, após seis anos atuando junto ao GIA, acho que já possuo alguma bagagem que me permite fazer relatos sobre nosso modus operandi, nossas alegrias e frustrações provenientes de nossa busca em questionar a arte e suas dimensões públicas.</p>
<p>Em nosso dia-a-dia, nossas ações são discutidas e lapidadas por longas conversas. Não foi diferente com as ideias presentes neste texto. A ação coletiva se faz presente em todas as atividades do grupo e, de fato, essa é uma tarefa árdua na maioria das vezes, já que os seis integrantes [1 &#8211; Atualmente, o GIA é composto por: Everton Marco Santos, Ludmila Britto, Mark Dayves, Pedro Marighella, Cristiano Píton e Tiago Ribeiro.] do GIA possuem repertórios e opiniões divergentes. Nosso maior desafio, atualmente, é encontrar o denominador comum de nossas ideias e vontades. Há um ponto, porém, com o qual todo o GIA concorda: é preciso repensar o espaço público e a forma como a arte dialoga com seus habitantes. Quando digo “espaço público”, não me refiro apenas às praças, ruas, becos etc, mas também às relações subjetivas que nele se estabelecem, algo que remete à psicogeografia situacionista [2 &#8211; Abdelhafid Khatib define a“psicogeografia como um estudo das leis e efeitos exatos do meio geográfico, conscientemente planejado ou não, que agem diretamente sobre o comportamento afetivo dos indivíduos”. (KHATIB, Abdelhafid. Esboço de Descrição Psicogeográfica do Les Halles de Paris. In JACQUES, Paola Berestein. Org. Apologia da Deriva: Escritos Situacionistas sobre a Cidade. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003. p.80)], com suas devidas adaptações.</p>
<p>Nesse texto, pretendo esboçar alguns relatos sobre o <em>Flutuador</em>, uma das últimas ações realizadas pelo GIA. Esse trabalho foi escolhido por colocar em evidência algumas reflexões a respeito do uso do <em>bem público</em> e suas implicações, além das relações sociais estabelecidas a partir de movimentações artísticas na cidade. Além disso, a intervenção ilustra as diferentes formas possíveis de contato entre o GIA, as instituições artísticas “oficiais” e o público.</p>
<p>Ao lado do Museu de Arte Moderna da Bahia existe uma comunidade carente, entre tantos outros aspectos – saneamento básico, por exemplo –, de lazer e atenção: a comunidade do Unhão. Por ironia do destino, ela se localiza não apenas do lado de uma das instituições artísticas mais prestigiadas de Salvador – o MAM –, como também em frente a um empreendimento imobiliário milionário da cidade: a <em>Morada dos Cardeais</em>, prédio luxuoso e local de morada de conhecidos artistas da cena nacional. Ironicamente, tanto a comunidade do Unhão, quanto os moradores da <em>Morada dos Cardeais</em>, podem usufruir de uma das vistas mais belas da cidade, a Baía de Todos os Santos.</p>
<p>Em ocasião do <em>QG do GIA</em> realizado no Museu de Arte Moderna da Bahia em maio de 2008 (<a href="http://www.qgdogia.blogspot.com">www.qgdogia.blogspot.com</a>), o grupo desenvolveu com os moradores da comunidade do Unhão a montagem do <em>Flutuador</em>, uma plataforma flutuante (cuja estrutura é feita de garrafas pet reutilizadas) que fica ancorada em determinada praia, à disposição do público. É um espaço de convivência em pleno mar. Em sua primeira versão, portanto, o<em> Flutuador</em> ficou ancorado na Baía de Todos os Santos, sendo prontamente aproveitado pelos moradores da redondeza. Os momentos de lazer e festa que essa “intervenção” proporcionou aos seus fruidores ultrapassaram as implicações conceituais que o GIA tinha formulado: esses momentos eram, sem dúvida, mais importantes do que a função inicial que o grupo tinha planejado para o <em>Flutuador</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="size-full wp-image-299 aligncenter" src="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-1.jpg" alt="" width="693" height="752" srcset="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-1.jpg 693w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-1-600x651.jpg 600w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-1-553x600.jpg 553w" sizes="(max-width: 693px) 100vw, 693px" /></p>
<p style="text-align: center;">Comunidade do Unhão e GIA usufruindo do Flutuador, ancorado na Baía de Todos os Santos, em frente ao Museu de Arte Moderna da Bahia e à comunidade adjacente.</p>
<p style="text-align: center;">(Foto: Mark Dayves)</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-298" src="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-2.jpg" alt="" width="961" height="242" srcset="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-2.jpg 961w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-2-768x193.jpg 768w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/TATUI-7-IMAGEM-2-600x151.jpg 600w" sizes="(max-width: 961px) 100vw, 961px" /></p>
<p>Cidadão pratica Ioga no Flutuador (Foto: Solange Farkas)</p>
<p>Uma “zona liberta” se apresenta em pleno mar como uma Zona Autônoma Temporária, conceito desenvolvido por Hakim Bay. O autor aponta:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">Devemos perceber que todos esses eventos são, de certa forma, “zonas libertas”, ou pelo menos TAZs em potencial. Seja ela apenas para poucos amigos, como é o caso de um jantar, ou para milhares de pessoas, como um carnaval de rua, a festa é sempre “aberta” porque não é “ordenada”. Ela pode até ser planejada, mas se ela não acontece é um fracasso. A espontaneidade é crucial.[3] [3 &#8211; BAY, Hakim. TAZ: Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad, 2001. p.26.]</p>
</blockquote>
<p>Essa anarquia foi levada às últimas conseqüências em uma segunda experiência com o <em>Flutuador</em> em janeiro de 2009. A plataforma flutuante foi deslocada para o Porto da Barra, um dos pontos turísticos de Salvador: bela paisagem, bela praia, muitos turistas, muitas drogas e prostituição. No mês de janeiro, alta estação, o local fica repleto de pessoas a qualquer hora do dia. O <em>Flutuador</em> foi muito bem recebido pelos frequentadores do local, principalmente pelas crianças. É um costume de crianças e adolescentes que frequentam a praia ficar pulando de um píer que se prolonga do Forte de Santa Maria para o mar: pulam o dia inteiro&#8230; O Flutuador foi recebido como uma fonte de lazer gratuita e prazerosa, sendo cada centímetro da plataforma disputado ininterruptamente. Infelizmente, em poucos dias, sua âncora foi roubada (ou desatada) e o <em>Flutuador</em> completamente destruído. Um mergulhador, “rato de praia” do Porto, em uma conversa com alguns integrantes do GIA, falou que um dos problemas do fim da plataforma foi o mau uso que ele atribuiu às <em>crianças do subúrbio, que não sabem cuidar das coisas e vêm aqui pro nosso bairro bagunçar</em>. Isso fez o grupo refletir&#8230; Afinal, o povo não tem muita vocação para o bem público, não é mesmo? O que aconteceria se essa ação tivesse ocorrido em alguma praia do subúrbio? Uma demonstração de selvageria e barbarismos? Não seria o momento de responder a essa questão, deslocando as ações do GIA dos bairros centrais para as zonas periféricas de Salvador? Estaria o problema, realmente, nas “crianças do subúrbio”?</p>
<p>Certo dia, Pedro Marighella, integrante do GIA, foi visitar a praia de São Tomé de Paripe, ao lado da Base Naval de Aratu, subúrbio soteropolitano.</p>
<p>Por conta de depoimentos como aquele do rapaz do porto, Pedro esperava encontrar em Paripe o tal “bando de selvagens”, mas o que encontrou foi um lugar lindo<em> e pessoas tão simpáticas quanto poderiam ser em qualquer outro bairro</em>&#8230; E uma enseada perfeita pra um flutuador! Tudo isso incutiu no GIA uma enorme vontade de construir novos <em>Flutuadores</em> e vivenciar as diferentes reações do público, oriundas das suas necessidades e anseios. Essas reações, por conseguinte, se configuram em diferentes modos de lidar com bens coletivos e, numa esfera mais ampla, com a cidade. Não poderia ser a arte uma mediadora dessas possibilidades? O GIA acredita que sim.</p>
<p>A escolha dos lugares para ancorar o <em>Flutuador</em>, portanto, levanta questões bem definidas a respeito das necessidades e do uso do bem público:</p>
<p>O Porto da Barra representa o centro e a classe média, sendo foco de iniciativas ligadas ao lazer e ao turismo – verão, música, boates, calçadas bem cuidadas, carnaval oficial. (Apesar de ser foco das ações governamentais e de ser supostamente “bem frequentado”, foi justamente nessa região que o Flutuador foi destruído);</p>
<p>A região do Unhão é uma comunidade carente, espremida e dependurada num paredão prestes a cair no mar. Existe, nesta localidade, uma carência de espaços de lazer, devido a um intenso processo de gentrificação e resistência da especulação imobiliária (apesar desses problemas, a comunidade cuidou e usufruiu do Flutuador de forma democrática e espontânea, sem destruir ou danificar sua estrutura);</p>
<p>O subúrbio, por sua vez, representa a classe baixa, a “última fronteira”: local espaçado, de pouca atração imobiliária e distanciada das iniciativas mais audaciosas do Estado.</p>
<p>…</p>
<p><em>(Pedro entra na fala de Ludmila)</em></p>
<p>Certamente, a manutenção ou destruição deste, ou de outro elemento, está além da questão das condições financeiras e da atenção das entidades oficiais, mas passa pela capacidade de reconhecimento do que deveríamos conceituar como “patrimônio”. Pelo que conheço, a relação de patrimônio se constrói em oposição a históricos de exploração e imposições.</p>
<p>As condições de construção e aplicação do <em>Flutuador</em> na comunidade do Unhão, por parte do GIA, foram naturais e atendiam a uma expectativa afetiva das pessoas, agregando e repassando informação&#8230; Gentil, carinhosa, atenciosa (já que as próprias pessoas da comunidade ajudaram na construção do Flutuador).</p>
<p>No Porto da Barra, o flutuador era um elemento tão estrangeiro e efêmero quanto os gringos dilapidados e dilapidadores, atores do turismo irresponsável, da prostituição escrota e alvos da criatividade e lucro da malandragem. Acho que o GIA foi pego no <em>vai e vem</em> intenso desses ambientes, onde o bem-estar foi relegado ao “Estado” e não às “pessoas”, estas sim detentoras da sensibilidade que constrói coisas como o carnaval ou a confiança.</p>
<p>Às vezes, tenho uma fantasia de que toda irresponsabilidade do povo, na verdade, é uma espécie de “pirraça” a todo comportamento de dominação e a ações mantenedoras do poder constituído. Parece uma espécie de continuação das relações coloniais: “Pô, devem tá de sacanagem com a gente!” –, pensam assim vândalos que conheci.</p>
<p>Concluindo, meu querido amigo artista/interventor, esse depoimento é pra te alertar: não caia nessas armadilhas. Dispense a pressa, dê um tempo pra timidez&#8230; Só tome cuidado com a malandragem e os chatos. Quer dar uma ideia segura? Deixe de onda, não faça o trabalho por fazer. Crie relações com as pessoas, mexa com elementos significativos e afeição. Deixe essa história de arte pra lá por enquanto. Veja se a vida, às vezes, não fica melhor assim.</p>
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