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	<title>Maicyra Leão &#8211; Revista Tatuí</title>
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	<description>Revista de crítica de arte</description>
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	<title>Maicyra Leão &#8211; Revista Tatuí</title>
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		<title>00</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/00-2/</link>
				<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 23:27:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Talvez sejamos a primeira geração jovem da arte no Brasil. Jovem no novo século. Jovem na quantidade de zeros dos anos 2000. Jovem na idade da entrada na FAAP, jovem nas primeiras participações em salões ou coletivas, jovem na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, jovem na primeira venda, jovem na [&#8230;]</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez sejamos a primeira geração jovem da arte no Brasil. Jovem no novo século. Jovem na quantidade de zeros dos anos 2000. Jovem na idade da entrada na FAAP, jovem nas primeiras participações em salões ou coletivas, jovem na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, jovem na primeira venda, jovem na primeira fala pública, jovem nas drogas experimentais e jovem na primeira residência. Jovem nos agrupamentos, na coletivização de experiências. Jovem na primeira bienal. Jovem no senso crítico e na capacidade de resistência. Jovem no pensamento, jovem nos medos perante aquilo que aparenta ser maior que nós. Jovem na invocação dos riscos, mesmo consciente da existência deles. Jovem na invenção de um povo por vir. Tão mais jovem perante outros jovens, há que se procurar o mais jovem dos artistas para encontrar a fonte da juventude. Há que extrair da juventude a jovialidade retroativa. Elixir da renovação. Da arte jovem. Da jovem crítica. Do jovem curador. Da jovem instituição. Do mercado jovem. Do jovem Brasil em sua jovem democracia e jovem economia. Da jovem imprensa e da jovem universidade. Da jovem transa. Do ser jovem pai, de ter sido uma jovem mãe. Antes de tudo, os jovens filhos. A jovem história nacional, a jovem história da arte. Os mais jovens historiadores. E os jovens editores? Há também os jovens caçadores e os jovens agricultores. Dizem que há o jovem tomate. O marxismo jovem. As jovens apostas. A juventude como moeda. Há juventude como álibi. E, em breve, o precoce desaparecimento da juventude. E então haverá a primeira geração precoce da arte no Brasil. Precoce na idade da entrada na FAAP, precoce nas primeiras participações em salões ou coletivas, precoce na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, precoce na primeira venda, precoce na primeira fala pública e precoce na primeira residência. Precoce nos agrupamentos, na coletivização de experiências. Precoce na primeira bienal. Precoce no senso crítico e na capacidade de resistência. Precoce no pensamento, precoce nos medos perante aquilo que aparentará ser maior que nós. Precoce na invocação dos riscos, mesmo consciente da existência deles. Precoce na invenção de um povo por vir. Tão mais precoce perante outros precoces, haverá que se procurar o mais precoce dos artistas para encontrar a fonte da precocidade. Haverá que extrair da precocidade o precocicismo retroativo. Da arte precoce. Da precoce crítica. Do precoce curador. Da precoce instituição. Do mercado precoce. Do precoce Brasil em sua precoce democracia e precoce economia. Da precoce imprensa e da precoce universidade. Do ser um precoce pai, de ter sido uma mãe precoce. Antes de tudo, os filhos precoces. A precoce história nacional, a precoce história da arte. Os mais precoces historiadores. E os precoces editores? Haverá também os precoces caçadores e os precoces agricultores. Dizem que haverá o precoce tomate. O marxismo precoce. As precoces apostas. A precocidade como moeda. Haverá precocidade como álibi. E, em breve, o desaparecimento precoce da precocidade. E então, com sorte, não haverá primeira geração, devorada pelo tempo que, logo cedo, há de passar despercebido.</p>
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		<item>
		<title>Carta</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/carta/</link>
				<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 00:47:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Querido, Te escrevo enquanto te olho. Sem dúvida essa frase ressoaria como mais uma intencionalidade clandestina à original na boca de nossos camaradas de imersão, tendendo a uma libidinosidade infundada, mas saudável, afinal essas foram gargalhadas que nos aproximaram. Te olho sem que me perceba e te observo, traços e tiques. De alguma forma, tua [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Querido,</p>
<p>Te escrevo enquanto te olho.</p>
<p>Sem dúvida essa frase ressoaria como mais uma intencionalidade clandestina à original na boca de nossos camaradas de imersão, tendendo a uma libidinosidade infundada, mas saudável, afinal essas foram gargalhadas que nos aproximaram.</p>
<p>Te olho sem que me perceba e te observo, traços e tiques. De alguma forma, tua imagem de urso marxista de luta me estimula o contraste.</p>
<p>Hoje pensei muito sobre tua escolha: a História da Arte Brasileira.</p>
<p>Esses dias ouvi atentamente teus longos discursos lúcidos e convictos sobre o modernismo brasileiro, sobre Hélio, Antônio Dias, Waldemar – ícones já perpetuados por nosso pequeno circuito e além dele – e te escutei com a admiração de quem desconhece tantos meandros e com a inquietação de quem prefere não se apoiar na história oficial ou mesmo a história eleita do ícone.</p>
<p>Entre essas idas e vindas, hoje em especial me surpreendi.</p>
<p>Primeiro, porque, no almoço, você abriu a geladeira em busca da salada, atitude esta realmente discordante de tudo que pregou a respeito de sua própria pessoa (e isso é genial – como diria você); segundo, porque talvez hoje eu tenha entendido sua real opção por historicizar.</p>
<p>A pergunta bem argumentada que nos fez hoje à tarde – afinal quem é essa geração à qual nós dizemos pertencer e como ela se reconhece? – ecoou dentro de mim mesmo durante o passeio noturno pela <em>Rua da Moeda.</em> Por quem vamos esperar para escrever nossa história?</p>
<p>Compreendi que, apesar da diversidade e da dispersão orgânica de nosso movimento, a síntese se faz necessária quando se pretende marcar a arqueologia de nosso futuro. E, como você defendeu, talvez melhor que nos saibamos dizer agora, antes que a poeira se registre como glória.</p>
<p>Agradeci por tê-lo conosco.</p>
<p>Acendeu uma fagulha de expectativa de que uma história endógena se construa e de que possua interlocutores ativos e resistentes, assim como sua luta armada.</p>
<p>E daí a minha insistente inquietação: como conquistar o perfil do que consideramos a nossa geração, sem perder a coesão do tempo real e de muitos?</p>
<p>Martela e martela e mais pensamentos pela noite adentro&#8230;</p>
<p>Um beijo, com o carinho da luta,</p>
<p>Mai.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>P.S.: ainda precisamos avançar na referência para além de São Paulo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Enquete Geracional</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/565-2/</link>
				<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 01:11:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>De qual geração em arte você faz parte? Como a nomearia? Ela tem data? ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ &#160; Cite até 7 palavras-chaves que na sua opinião caracterizam sua geração. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ &#160; Qual a cor preferida da sua paleta? (    )  Vermelho cor de sangue O- (    )  Azul cor de céu de Brasília (    )  Branco cor [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>De qual geração em arte você faz parte? Como a nomearia? Ela tem data?</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cite até 7 palavras-chaves que na sua opinião caracterizam sua geração.</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Qual a cor preferida da sua paleta?</p>
<p>(    )  Vermelho cor de sangue O-</p>
<p>(    )  Azul cor de céu de Brasília</p>
<p>(    )  Branco cor de paz eterna</p>
<p>(    )  Amarelo cor de mostarda do Mc Donald´s</p>
<p>(    )  Suor cor de gota</p>
<p>(    )   Outra? ____________________________</p>
<p>(    )  Outra que não interessa</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Numa quadrilha de São João, para passar debaixo do túnel, quais artistas da tua geração você levaria contigo?</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você se leva a sério? Exemplifique.</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Qual animal melhor representa o circuito de arte contemporânea? Por quê?</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que um artista contemporâneo diria sobre comer com colher?</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você faz arte? (Se a resposta for positiva, passe para a pergunta abaixo)</p>
<p>(    ) Sim</p>
<p>(    ) Não</p>
<p>(    ) Ainda não me decidi</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando você faz a tua arte, acredita estar mobilizando o capital ( $$$ ) ?</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se você pudesse matar descompromissadamente alguns artistas, quais seriam?</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>___________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Qual é sua solução genial para mobilizar um circuito de arte alternativo? Se se sentir incapaz, deixe em branco.</p>
<p>________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: center;">©</p>
<p style="text-align: right;">Responsável técnico: Maicyra Leão</p>
<p style="text-align: right;"><em>* Para sugestões, críticas, reclamações e declarações sobre circuitos alternativos de arte, aproveite qualquer cubo em branco disponível (ou indisponível).</em></p>
<p style="text-align: right;">
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		<item>
		<title>Feijoada – ou – depoimento vincado</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/feijoada-ou-depoimento-vincado/</link>
				<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 23:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Poucas são as frustrações maiores do que esta que agora sinto: a de ser o inimigo do (anti)herói que para nós foi construído – e construímos. Não são poucos os fatos que me fazem pensar que somos a merda da diarreia apontada por Oiticica, e a perspectiva de uma apenas longínqua descarga em nada diminui [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Poucas são as frustrações maiores do que esta que agora sinto: a de ser o inimigo do (anti)herói que para nós foi construído – e construímos. Não são poucos os fatos que me fazem pensar que somos a merda da diarreia apontada por Oiticica, e a perspectiva de uma apenas longínqua descarga em nada diminui o peso do fardo. Mesmo diluído entre todos nós, o fato persiste.</p>
<p>Há que se dizer que nela há mais matéria que cheiro: a merda só se faz no toque (da mão, da água ou do cu). Antes dele, tudo é digestão. Somente na proximidade do ambiente cagado é que nos percebemos <em>dejetos</em>: sobras dos heróis e seus combates, de suas armas e escudos. Eles nos tomaram tudo! O herói está nu.</p>
<p>Há gula no passado. Comeram entradas, pratos principais e sobremesas. Esconderam o cardápio e cá nos deixaram, com fome. Sem comer, cagamos mole. (e nunca falta o quê pôr para fora). Com pouca água e pouco pão, a merda é quase vento: espirra em todo lugar. Contamina; mas pouco faz feder – sem alimento, não há digestão e não há cheiro.</p>
<p>Antropofagicamente, tudo foi comido. E nós não aprendemos a caçar.</p>
<p>É assim que, inimigos de nossos heróis, vamos aprender a enterrá-los. Somente a partir de seu sepultamento teremos ossos suficientes para o cozido de amanhã:</p>
<p>Enfiar o dedo goela adentro e assim, como se fosse um papel, dobrar o sistema digestivo. Uma dobradiça já conformada pela quantidade de vezes que abriu e fechou. Como o cu de onde saímos e adentramos. Uma dobradiça nitidamente vincada. É preciso agora amassar, desorganizar. Não para chegarmos a um cocô consistente, mas a um cu sem pregas, cu disforme, cu que não seja meramente um espanta-bosta. Que, antes disso, possa operar uma desestratificação (e não diluição) da própria merda. Como uma feijoada – ou merda – enlatada.</p>
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		<title>Notas sobre a minha geração</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/notas-sobre-a-minha-geracao/</link>
				<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 01:07:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>A minha geração? &#8211; A nossa geração, amor. De fato soa um tanto áspero, intragável até. Mas que geração? A da primeira década de 2010? Que virará história? E quem irá contá-la? A partir de que paradigmas? &#8211; Comece, amor. A minha geração caricaturada, a minha geração lipoaspirada, a minha geração bottox, a minha geração [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>A minha geração?</p>
<p>&#8211; A nossa geração, amor.</p>
<p>De fato soa um tanto áspero, intragável até. Mas que geração? A da primeira década de 2010? Que virará história? E quem irá contá-la? A partir de que paradigmas?</p>
<p>&#8211; Comece, amor.</p>
<p>A minha geração caricaturada, a minha geração lipoaspirada, a minha geração <em>bottox</em>, a minha geração <em>big brother</em>, a minha geração cooptada, a minha geração desbotada, a minha geração desencarnada, a minha geração siliconada, a minha geração despolitizada, a minha geração pós-pós-pós-tudo.</p>
<p>&#8211; Coragem, amor&#8230;</p>
<p>Olho pela janela do Branco do Olho, uma imagem regionalista (se estamos em São Paulo, quando falamos de urbano, de metrópole, também não seria um tipo de regionalismo?) de um jumento manco; uma cela corroída, possivelmente, pela maresia; uma viseira restringindo o campo de visão; o olhar focado em um <em>horizonte de prévio destino</em>; a carroça enguiçada; o pequeno ruído de madeira rangendo em madeira. Manco como uma geração de viseiras aparentemente inexistentes (viseiras invisíveis), de ruídos formatados em <em>sussurros surdos</em>. Olhar para trás e não se reconhecer – nem dentro, nem fora dessa paisagem pitoresca. Porém, ainda assim, ter a certeza de que faz parte e, mais que isso, de ser parte inerente.</p>
<p>&#8211; A geração se apaixona quando se conhece, amor. Por isso se esquiva. Foge do amor. Leonilson não concluiu sua lição sobre amar&#8230; O amor o desconheceu.</p>
<p>Ele não conseguiu mudar o mundo (?). Mas o mundo conseguiu mudá-lo (?).</p>
<p>&#8211; Leonilson não tentou mudar o mundo, amor. Apenas quer que acreditemos que tentou tão verdadeiramente, assim como nós queremos acreditar que tentamos mudar o mundo nós mesmos. É uma mentira autolegitimatória e condescendente. Mais fácil fracassar mediante tentativa do que fracassar por imobilidade. “Falhar melhor” como lema do mundo e da arte é o que temos dito uns aos outros enquanto afago. Passar a mão na cabeça e aliviar a tensão. Incapacidade de lidar com a dor: e o dorflex sempre à mão. Mas isso não é amor&#8230;</p>
<p>Leonilson ensinou a lidar com a morte (?). Talvez, por isso, sem termos esperanças de mudar o mundo, já projetamos seu corpo defunto. Sem coragem de suicidarmo-nos, às vezes matamos os outros. Colecionamos os gritos dos coitos que interrompemos traumaticamente. O trauma somos nós.</p>
<p>&#8211; Para onde foi o gozo, amor?</p>
<p>Virou tempo tântrico. Exercício de economia de energia de pulsão vital. Mas é pelo gozo que o tempo tem se feito presente. É assim que ele é medido em sua desmesura, pelo palpitar de seu coração. O coração do tempo.</p>
<p>&#8211; O coração, amor&#8230;</p>
<p>A perna se abre, escancara-se com ódio.</p>
<p>&#8211; Onde está o coração, amor?</p>
<p>A vontade é de abocanhar com a vulva.</p>
<p>&#8211; Amor.</p>
<p>O mundo. O mundo de Leonilson – ele, sim, defunto. Mas vivo. Comestível e saboroso como o presunto que é. Eu quero superar o trauma (?).</p>
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										</item>
		<item>
		<title>Vamos sambar no GIA?</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/vamos-sambar-no-gia/</link>
				<pubDate>Fri, 31 May 2019 18:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Desde março desse ano, passei a “frequentar” a cidade de Salvador semanalmente. Por questões que fogem ao interesse dessas breves considerações, a capital soteropolitana se apresentava a mim como alternativa de contato com engajamentos artísticos providos de discurso e ação legitimada. Durante os primeiros meses, ainda afoita em meio à turbulência gerada pela opção por [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>Desde março desse ano, passei a “frequentar” a cidade de Salvador semanalmente. Por questões que fogem ao interesse dessas breves considerações, a capital soteropolitana se apresentava a mim como alternativa de contato com engajamentos artísticos providos de discurso e ação legitimada.</p>
<p>Durante os primeiros meses, ainda afoita em meio à turbulência gerada pela opção por uma vida sem localização fixa, percorri as ladeiras da cidade lançando garras por sobre os dados concretos e invisíveis aos quais pude me apreender.</p>
<p>Aos poucos, o olhar estrangeiro se desmembrava dando lugar ao binocular. Além da contemplação, pude focar detalhes que realçavam contrastes e tensões entre a Salvador bela, instigante, exótica, de um lado; e, do outro, medíocre e prostituída.</p>
<p>Representante desse palco de tensões, o famoso Pelourinho ainda era (e é) um mistério desafiador, um misto oracular que ora se esvazia, ora se torna pleno em sua energia carregada de história e esconderijos. Foi lá, na Rua das Laranjeiras, n. 46, que me encontrei com o tão esperado QG do GIA (QG = Quartel General).</p>
<p>O GIA – Grupo de Interferência Ambiental, reunido em 2002 e formado por amigos oriundos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, tornou-se um dos ícones dentre os diversos coletivos de artistas que se proliferaram no Brasil, desde fins do século XX.</p>
<p>Num contexto geral, enquanto movimento não nominado, mais de 50 coletivos de arte surgiram com uma postura de resistência, direta ou indireta, a um sistema de validação pautada num mercado de <em>marchands</em>, colecionadores e instituições, responsáveis pelo cerceamento da circulação e pela hipervalorização do artista como entidade em destaque na sociedade.</p>
<p>Movidos por uma prática de vida que vai além desse questionamento, grande parte desses coletivos elegeu a rua e o espaço público como meio eficaz de manifestação de seus anseios artísticos, éticos, poéticos e políticos, numa tentativa de também romper as barreiras da acessibilidade à qual a arte enquadrada havia se imposto.</p>
<p>Não me cabendo, por ora, aprofundar aspectos das contradições e paradoxos que permearam a sobrevivência dos coletivos, vale observar como a consolidação [1 &#8211; Não quero com isso ignorar as diversas manifestações históricas anteriores, tanto de intervenções urbanas, quanto de coletivos, mas estou me focando nesse texto num momento específico da recente produção brasileira. Inclusive diálogos e trocas são sempre bem-vindos: <a href="mailto:maicyraleao@gmail.com">maicyraleao@gmail.com</a> .] da intervenção urbana, enquanto linguagem artística assumida inclusive em editais de fomento e circulação, acompanhou o desenvolvimento desse movimento de apelo coletivo, viabilizando inclusive ações de grande escala a partir da participação de uma maior quantidade de agentes.</p>
<p>No entanto, a ação coletiva não necessariamente esteve associada à massa enquanto número participante na rua. Assumir-se enquanto coletivo era enxergar-se como grupo legitimador de seu próprio discurso/ação, permitindo-se uma certa autonomia e segurança de atitude, inclusive pela dissolução de uma autoria focada no indivíduo, cujo <em>status quo</em> é passível de ser medido e comparado. Estar em conjunto [2 &#8211; Como praticante também solitária, reconheço com tranquilidade a possibilidade de se “estar em conjunto” mesmo a partir de um suporte/estímulo solo. Portanto, “coletivo” para mim é vivido a partir de um estado e não de números.] e apresentar-se como tal, no espaço público, envolve então força e vontade de provocar uma energia desestabilizadora [3 &#8211; Ver: ROLNIK, Suely. <em>Inconsciente Antropofágico &#8211; ensaios sobre as subjetividades contemporâneas</em>. São Paulo: Estação Liberdade, 1997.] de um cotidiano homogêneo e hiper-sincrônico [4 &#8211; Ver: STIEGLER, Bernard. <em>Reflexões (não) contemporâneas</em>. Maria Beatriz de Medeiros (trad. e org.) Chapecó: Argos, 2007.], em que os contextos individuais se tornaram hiperorientados esteticamente.</p>
<p>Envolvidos nessa estética do cotidiano, termo também utilizado pelo GIA para caracterizar seus trabalhos, <em>artivismo</em>e espetacularidade [5 &#8211; Ver: DEBORD, Guy. <em>A sociedade do espetáculo</em>. Rio de Janeiro, Contraponto, 1997]  assumem uma nova tensão, reestabelecendo contradições dentro do próprio âmbito da intervenção e do coletivo. Um modismo se estabeleceu na intervenção urbana: qualquer estranhamento visual ou qualquer objeto/ação deslocalizado de seu contexto inicial passaram, a priori, a se conformar com a intervenção como sendo uma “pegadinha” no ritmo acelerado do olhar.</p>
<p>Pergunto-me: até que ponto essa estratégia não perdeu sua potência enquanto microrresistência [6 &#8211; Ver: BERENSTEIN, Paola Jacques. <em>Corpografias urbanas</em> in: <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/">www.vitruvius.com.br/arquitextos/</a>] que se banalizou? Como acontecimento efêmero, como perenizá-lo minimamente no íntimo dos cúmplices que compartilharam a ação? Como mobilizar um questionamento racional ou uma <em>surpreensão [7 &#8211; Ver: MEDEIROS, Maria Beatriz de. Aisthesis: estética, educação e comunidades. Chapecó: Argos, 2005.] </em>e um rebuliço inapreensível pelo discurso verbal? Como conquistar uma brecha no espaço sensorial para além do reconhecimento do estranhamento? Ganha um pirulito quem souber.</p>
<p>Não à toa, o GIA se denomina como um grupo de amigos. Não há garantias de sua persistência sem a afinidade por manter suas relações vivas e atualizadas. Convivem, se encontram e se desencontram com a generosidade de quem ama. Se a música percorre por alguns e grita a presença, assumem todos o samba.</p>
<p>Cheguei ao Pelourinho para o samba do GIA numa quinta, com a ansiedade gerada pela curiosidade e voltei para casa com a tranquilidade de quem caminha cantando.</p>
<p>O QG está situado numa rua que liga um grande estacionamento para carros a áreas mais badaladas daquele ponto turístico. A passagem é certa e a porta está sempre aberta. Àqueles com <em>afinidade</em>, o samba fuleiro logo se faz jogo de alegria, entrando na roda com tamborim na mão ou com um copo de cerveja ofertado por um desconhecido. Não há venda ou comércio lá dentro. Os músicos são rotativos, assim como a “vaquinha” para se comprar a bebida. Como no antigo samba-de-chave baiano, no qual os músicos e bailarinos fingiam procurar uma chave no meio da roda para que fossem substituídos, os agenciamentos vão se formando sem orientação pré-definida.</p>
<p>Para os mais próximos, algumas composições musicais do grupo já conhecidas, como “Cerveja Gia” e “Degrau”, são cantadas como estímulo agregador aos novatos no terreiro ou aos errantes que por ali passam. As poderosas letras das músicas, credibilizadas pela crença compartilhada, que em sua maioria retratam e registram ações de intervenção realizadas pelo GIA, mobilizam os ouvintes, se misturando a clássicos do samba brasileiro, sejam eles nascidos na Bahia ou no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nunca havia me ocorrido a música como registro de uma ação. Fiquei intrigada com a capacidade de abrangência pós-evento com que ela se perpetuou em minha lida diária. Acordei cantando e até ensinei um samba: “Quem vive sonhando, pensando, matutando / tentando encontrar um jeito de mudar a situação / Aproveitando esse registro expandido, eu lhe digo, meu amigo, você muda opiniões / Modificando aquilo que está ao seu lado, você muda o mundo todo, acredite em suas ações!”[8 &#8211; Trecho da Música “Acredite em suas ações”, do Samba GIA. Ver: <a href="http://www.giabahia.blospot.com">www.giabahia.blospot.com</a>].</p>
<p>Além de resistência enquanto identidade, local e nacional, o samba repercutia a intervenção urbana contaminada pelo suor da ginga. O ritmo da roda estava agora comprometido com a vivência na cidade, num misto de reflexão e experiência sensorial coletiva, tornando-se “condição para que o outro deixe de ser simplesmente objeto de projeção de imagens pré-estabelecidas e possa se tornar uma presença viva, com a qual construímos nossos territórios de existência” [9 &#8211; ROLNIK, Suely. <em>Cartografia Sentimental &#8211;</em><em> Transformações contemporâneas do desejo</em>. São Paulo: Estação Liberdade, 1989. Pág. 11 e 12.].</p>
<p>***</p>
<p>Há controvérsias sobre a origem do nome samba. Alguns acreditam que tenha surgido com referência direta a alguma das muitas línguas africanas [10 &#8211; Fonte: Wikipedia], possivelmente do quimbundo, onde <em>sam</em> significa <em>&#8220;</em>dar<em>&#8220;</em>, e <em>ba</em>, <em>&#8220;</em>receber<em>&#8220;</em>. No Brasil, acredita-se ainda que o termo &#8220;samba&#8221; tenha sido uma variação de <em>semba </em>(umbigada), dança na qual duas pessoas se chocam, saltando, encostando os umbigos no ar.</p>
<p>Me instiga imaginar a intervenção urbana correndo, ou melhor, se expandindo enquanto relato musicado por entre dois umbigos no ar. Talvez seja uma possibilidade em manter a potência da ação ligada ao poro e a esse contato invisível que nos apreende e nos mantém em suspensão.</p>
<p>Não saberia precisar quando começou exatamente o samba no QG, sei que aguardo o próximo. Vamos sambar no GIA?<a href="#_ftnref1" name="_ftn1"></a><a href="#_ftnref10" name="_ftn10"></a></p>
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