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	<title>Jorge Mena Barreto &#8211; Revista Tatuí</title>
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	<description>Revista de crítica de arte</description>
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	<title>Jorge Mena Barreto &#8211; Revista Tatuí</title>
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		<title>O começo pelo meio</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/o-comeco-pelo-meio-1/</link>
				<pubDate>Fri, 31 May 2019 18:04:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>O começo pelo meio [1 &#8211; Este texto pertence originalmente à dissertação de mestrado “Lugares Moles”, de minha autoria, defendida em 2007 no Programa de Pós-Graduação da ECA-USP.] &#160;     Não buscaríamos origens, mesmo perdidas ou rasuradas, mas pegaríamos as coisas onde elas crescem, pelo meio: rachar as coisas, rachar as palavras. [2 &#8211; DELEUZE, [&#8230;]</p>
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]]></description>
								<content:encoded><![CDATA[<p>O começo pelo meio [1 &#8211; Este texto pertence originalmente à dissertação de mestrado “Lugares Moles”, de minha autoria, defendida em 2007 no Programa de Pós-Graduação da ECA-USP.]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 160px; text-align: right;"><em>   </em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 120px;"><em>Não buscaríamos origens, mesmo perdidas ou rasuradas, mas </em><em>pegaríamos as coisas onde elas crescem, pelo meio: <strong>rachar as coisas, rachar </strong></em><em><strong>as palavras. </strong></em>[2 &#8211; DELEUZE, Gilles. Conversações. Rio de Janeiro. editora 34, 1992, p. 108.]</p>
<p style="text-align: right; padding-left: 120px;">Gilles Deleuze</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><em>A palavra não tem a menor possibilidade de</em></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><em><strong>e x p r e s s a r</strong> alguma coisa. Tão logo começamos</em></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><em>a pôr nossos pensamentos em palavras e frases,</em></p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;"><em>tudo sai  <strong>errado</strong></em>.[3 &#8211; THOMKINS, Calvin. Marcel Duchamp. Ed. CosacNaify, São Paulo, SP, 2005, p.77 (grifos meus).]</p>
<p style="padding-left: 80px; text-align: right;">Marcel Duchamp</p>
<p>Já de início, temos uma citação de Marcel Duchamp, <strong>desconfiando</strong> do poder das palavras de</p>
<p><strong>expressarem</strong> algo. E faço minhas as suas palavras, pois também</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>des</strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-321" src="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/imagem-TATUI-8-1.jpg" alt="" width="609" height="354" srcset="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/imagem-TATUI-8-1.jpg 609w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/imagem-TATUI-8-1-600x349.jpg 600w" sizes="(max-width: 609px) 100vw, 609px" /></p>
<p>E quando se desconfia, se analisa, perscruta, investiga. Quebra, estica, desconstrói, reconstrói. Macera, pulveriza, arrasta e tensiona. Joga, queima, funde, forja.E se você desconfiar em português, na primeira pessoa, pode encontrar o</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-322" src="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/tatui-8-imagem-2.jpg" alt="" width="771" height="415" srcset="http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/tatui-8-imagem-2.jpg 771w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/tatui-8-imagem-2-768x413.jpg 768w, http://www.revistatatui.com.br/wp/wp-content/uploads/2019/05/tatui-8-imagem-2-600x323.jpg 600w" sizes="(max-width: 771px) 100vw, 771px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E tecer. E emaranhar. E desafiar. E riscar.</p>
<p>A citação acima, se tivesse sido dita por outra pessoa, talvez fosse entendida como mero descaso ou desprezo pelas palavras. Talvez por alguém que tenha sido mal-entendido com demasiada freqüência. No entanto, foi dita por Marcel Duchamp, alguém extremamente atento às relações entre palavras e coisas; linguagem e tradução; e suas ligações, sempre problematizadas, com os modos de significar.</p>
<p>Desconfiemos, então, da aparente simplicidade da sua citação, rachando-a.</p>
<p><em>A palavra não tem a menor possibilidade de expressar alguma coisa.</em></p>
<p>Para os poetas concretos brasileiros[4 &#8211; Entre eles, Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos. Uma das críticas da poesia.], por exemplo, assim como para Mallarmé, ou Joyce (vizinhos de Duchamp?), o interesse na palavra não residia na sua possibilidade de  <em>expressar alguma</em> coisa posta por um sujeito. Para eles, <em>a palavra é a própria coisa</em>, em seu aspecto material: “Tudo isto nãoindica outra coisa senão que:<em> a vontade de construir</em> superou a vontade de <em>expressar</em>, ou de se<em> expressar</em>.”[5 &#8211; CAMPOS, Haroldo e Augusto de; PIGNATARI, Décio. Teoria da Poesia Concreta: Textos Críticos e Manifestos 1950-1960. Ed. Livraria Duas Cidades, 1975, p. 125.]</p>
<p><em>Tão logo começamos a pôr nossos pensamentos em palavras e frases,</em></p>
<p>As palavras e frases não são um suporte neutro, onde <em>podemos simplesmente pôr nossos pensamentos</em>, um conteúdo que nelas irá residir em segurança enquanto aguarda alguém que venha lhes resgatar. Elas podem fazer com que o conteúdo que depositamos nelas seja flexionado, distorcido, deformado, remodelado. A palavra age e pulsa, e transforma. Por isso, para Duchamp, neste processo,</p>
<p><em>tudo sai errado.</em></p>
<p>Mas que idéia é essa de “errado”? O que <em>sai</em> errado? Talvez, errado possa ser lido como <strong>distante</strong>, referindo-se à distância do que foi posto em relação à sua suposta origem (no pensamento de um sujeito?), onde estaria o que é “certo”, o original.</p>
<p>Errado, em português, pode ter sido algo que errou. Errar também é movimentar-se por aí, vaguear, e distanciar-se de sua origem. Certamente essas palavras de Duchamp não foram pronunciadas em português. O jogo entre errar (errado) e errar (vaguear) é, neste caso, uma possibilidade de leitura que se gera na tradução para o português, obviamente imprevisto pelo autor. Neste caso, a tradução, ou o distanciamento do original, abre novas possibilidades de leitura (erradas?). Se Duchamp depositou algo nessas palavras e frases, por mais que possa ter sido ambíguo, não poderia prever todas as suas saídas, como a que faço agora no português.</p>
<p>Nesse sentido <em>sair errado</em> também nos dá outra dica de abordagem desta citação. O verbo sair está ligado a um movimento de exteriorização. Toda palavra pressupõe um leitor. É dele a responsabilidade sobre a “saída” do que nas palavras foi depositado, a exteriorização de um possível significado. Mas já<em> não tem a menor possibilidade</em> de que a coisa que foi depositada<em> saia</em> certo, ou, próxima da intenção de quem a colocou. Ela sai multiplicada pelo coeficiente artístico. [6 &#8211; Marcel Duchamp discute a participação do público no processo de significação das obras de arte apresentando o conceito de coeficiente artístico. O coeficiente artístico, seria &#8220;uma relação aritmética entre o que permanece inexpresso embora intencionado, e o que é expresso não-intencionalmente&#8221;. Ver DUCHAMP, Marcel. O ato criador. In: BATTCOCK, Gregory (edit.). A nova arte. São Paulo: Perspectiva, 1987, p. 73.]</p>
<p>É como este texto que você acabou de ler, tudo errado.</p>
<hr />
<p>entre o que permanece inexpresso embora intencionado, e o que é expresso não-intencionalmente&#8221;. Ver DUCHAMP, Marcel. O ato criador. In: BATTCOCK, Gregory (edit.). A nova arte. São Paulo: Perspectiva, 1987, p. 73.</p>
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