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	<title>Jonathas de Andrade &#8211; Revista Tatuí</title>
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	<description>Revista de crítica de arte</description>
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	<title>Jonathas de Andrade &#8211; Revista Tatuí</title>
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		<title>00</title>
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				<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 23:27:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Talvez sejamos a primeira geração jovem da arte no Brasil. Jovem no novo século. Jovem na quantidade de zeros dos anos 2000. Jovem na idade da entrada na FAAP, jovem nas primeiras participações em salões ou coletivas, jovem na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, jovem na primeira venda, jovem na [&#8230;]</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez sejamos a primeira geração jovem da arte no Brasil. Jovem no novo século. Jovem na quantidade de zeros dos anos 2000. Jovem na idade da entrada na FAAP, jovem nas primeiras participações em salões ou coletivas, jovem na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, jovem na primeira venda, jovem na primeira fala pública, jovem nas drogas experimentais e jovem na primeira residência. Jovem nos agrupamentos, na coletivização de experiências. Jovem na primeira bienal. Jovem no senso crítico e na capacidade de resistência. Jovem no pensamento, jovem nos medos perante aquilo que aparenta ser maior que nós. Jovem na invocação dos riscos, mesmo consciente da existência deles. Jovem na invenção de um povo por vir. Tão mais jovem perante outros jovens, há que se procurar o mais jovem dos artistas para encontrar a fonte da juventude. Há que extrair da juventude a jovialidade retroativa. Elixir da renovação. Da arte jovem. Da jovem crítica. Do jovem curador. Da jovem instituição. Do mercado jovem. Do jovem Brasil em sua jovem democracia e jovem economia. Da jovem imprensa e da jovem universidade. Da jovem transa. Do ser jovem pai, de ter sido uma jovem mãe. Antes de tudo, os jovens filhos. A jovem história nacional, a jovem história da arte. Os mais jovens historiadores. E os jovens editores? Há também os jovens caçadores e os jovens agricultores. Dizem que há o jovem tomate. O marxismo jovem. As jovens apostas. A juventude como moeda. Há juventude como álibi. E, em breve, o precoce desaparecimento da juventude. E então haverá a primeira geração precoce da arte no Brasil. Precoce na idade da entrada na FAAP, precoce nas primeiras participações em salões ou coletivas, precoce na primeira individual, na entrada em programas de mapeamento da arte, precoce na primeira venda, precoce na primeira fala pública e precoce na primeira residência. Precoce nos agrupamentos, na coletivização de experiências. Precoce na primeira bienal. Precoce no senso crítico e na capacidade de resistência. Precoce no pensamento, precoce nos medos perante aquilo que aparentará ser maior que nós. Precoce na invocação dos riscos, mesmo consciente da existência deles. Precoce na invenção de um povo por vir. Tão mais precoce perante outros precoces, haverá que se procurar o mais precoce dos artistas para encontrar a fonte da precocidade. Haverá que extrair da precocidade o precocicismo retroativo. Da arte precoce. Da precoce crítica. Do precoce curador. Da precoce instituição. Do mercado precoce. Do precoce Brasil em sua precoce democracia e precoce economia. Da precoce imprensa e da precoce universidade. Do ser um precoce pai, de ter sido uma mãe precoce. Antes de tudo, os filhos precoces. A precoce história nacional, a precoce história da arte. Os mais precoces historiadores. E os precoces editores? Haverá também os precoces caçadores e os precoces agricultores. Dizem que haverá o precoce tomate. O marxismo precoce. As precoces apostas. A precocidade como moeda. Haverá precocidade como álibi. E, em breve, o desaparecimento precoce da precocidade. E então, com sorte, não haverá primeira geração, devorada pelo tempo que, logo cedo, há de passar despercebido.</p>
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		<title>O Gatilho</title>
		<link>http://www.revistatatui.com.br/edition_text/o-gatilho/</link>
				<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 01:25:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Revista Tatuí]]></dc:creator>
		
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				<description><![CDATA[<p>Saber e não saber, ter consciência da completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, endossar a moralidade em repúdio à própria moralidade, crer na impossibilidade da Democracia, agindo em defesa da mesma Democracia; esquecer tudo quanto [&#8230;]</p>
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								<content:encoded><![CDATA[<p>Saber e não saber, ter consciência da completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, endossar a moralidade em repúdio à própria moralidade, crer na impossibilidade da Democracia, agindo em defesa da mesma Democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e, acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Em algum momento simultaneamente marcante e impreciso, a vida ensinava a desatar nós: induzir conscientemente à inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Simples. O que pouco tempo antes seria compreendido como entrega ou cinismo, emergia como a estruturação de uma nova relação com o mundo, uma curiosa política do etéreo.</p>
<p>A cidade crescera implodida, vertical e extremamente polarizada. Diante dos extremos, a antiga lógica racional impunha seguidas ciladas éticas, demandando justiça na injustiça, decisão na desmesura, responsabilidade na impossibilidade. Diante da angústia, a juventude perdia o sabor e cristalizava. As vidas vertiam, dedicadas ao tecer de grandes quebra-cabeças analíticos, de geração a geração, críticas e distantes –  paralisadas. A este momento radical, a cidade já se desnudara e era possível ouvir: “vejam!.. como é claro!.. é igualitária, tal qual humanitária é a sua ficção!..” Os discursos se vulgarizavam – esperança, paz e utopia experimentavam ostracismo. A proferir verdades, restaram as mulheres de longos cabelos, compridas e apertadas saias jeans a representar esbravejantes homens de terno e seus livrinhos; e também outros homens de terno, de fala mais escarnecida, a representar uns outros de fala mais terna, a obedecer rituais legais de camisetas e apertos de botões, para a perpétua garantia de que tudo continuasse exatamente o mesmo.  Pairava um mal-estar, um sentimento agudo e generalizado de descontinuidade histórica; não existia passado, nem futuro. Mesmo o presente hiperaguçado arrefeceu, calcificou, perdeu o tato no superestímulo. Disseminavam-se inseguranças, ameaças, medos, proximidades de planetas desconhecidos, calendários ancestrais, ciclos apocalípticos, conchavos, vinganças naturais, desastres ecológicos, maremotos; inexistia o gôzo comunitário.</p>
<p>E de repente, tal qual o sólido que se dissolveu no ar, ou a água que virou vinho, um renascimento. Da contradição indissolúvel, uma reinterpretação da natureza do xeque-mate: tal qual um motor estrutura sua impulsão no movimento entre os pólos opostos, internalizar a contradição como potência explosiva, experimentando despudoradamente ser o sim e o não, talvez s i m u l t a n e a m e n t e. Incorporar a revolta sendo preto no branco, pobre burguês.  E começaram a entreolhar-se, a reconhecer-se: faca nos peitos, peitos pra fora. Ainda politicamente adormecidos e de maneira um tanto infantil, retomavam o desenho de uma nova geração, encontrando um outro pulso, o próprio gatilho; abriam caminhos de disponibilidade explosivamente contraditória num mundo racionalmente inviável. E tomados por uma excitação saborosa própria da criação e do recomeço, perguntavam entre si o que cada um pretendia fazer antes daquela primeira década terminar.</p>
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